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Donas de Casas
Donas de Casas

10-08-2012/09:38:08

De casa para a campanha eleitoral

Brasil tem 22,2 mil donas de casa concorrendo ao cargo de vereador. No Paraná, número aumentou de 656, em 2008, para 1,5 mil neste ano

Lugar de mulher é na cozinha, dizia um velho ditado machista pelo qual se pregava que o mercado de trabalho deveria ser restrito aos homens, enquanto a suas esposas caberia apenas a missão de cuidar do lar e dos filhos. A ideia vem caindo por terra nas últimas décadas, com o sexo feminino ocupando cada vez mais espaço em todos os segmentos, inclusive na política. Nessa toada, os registros de candidaturas para as eleições de outubro revelam que um grande número de mulheres está deixando os afazeres domésticos para enfrentar as urnas. Tanto no Paraná como no resto do país, a quantidade de donas de casa disputando vagas nas câmaras municipais mais que dobrou em relação às eleições de 2008.

Segundo estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em todo o Brasil são 22,2 mil donas de casa concorrendo a vereador neste ano. É a quarta ocupação com mais representantes na disputa, perdendo apenas para servidor público, agricultor e comerciante. Situação bem diferente de quatro anos atrás, quando as candidatas “do lar” somavam 9,8 mil. O mesmo salto foi verificado no Paraná, onde as concorrentes donas de casa passaram de 656 para 1,5 mil.

Em Curitiba, são 13 as candidatas a vereador registradas como donas de casa. Uma delas é Cenira Hirt, que aos 48 anos disputa uma eleição pela primeira vez. “Sempre vi os políticos falarem que vão fazer uma porção de coisas e não acontece nada. Entrei para conhecer, saber por que existe tanta dificuldade em cumprir o que se promete”, relata. Também estreante na corrida eleitoral, Geneci Vargas Souto, de 58 anos, se sentiu motivada pelo trabalho comunitário que realiza há quatro anos. “Vejo muitas pessoas passando dificuldade, especialmente com serviços de saúde. Na política, espero poder ajudar mais essas famílias”, justifica.

Aos 61 anos, Florisbela Pasquini já tem experiência política, tendo concorrido a deputada estadual em 2010. Apesar de dona de casa, sua formação inclui pós-graduação na área de direito. “A mulher é uma batalhadora, é administradora da casa e é importante receber atenção da sociedade”, defende. Alzenir Toscan também iniciou a faculdade de direito e teve como motivador maior o trabalho voluntário que realiza com idosos. “Sempre converso com as pessoas na rua. Elas querem inovar, estão cansadas de corrupção.”

Cautela

Para Luiz Domingos Costa, doutor em ciência política e professor da Uninter, a maior presença das donas de casa deve ser observada com cautela. Se representa um incremento das candidaturas femininas e menos elitizadas, também pode incluir as chamadas “laranjas”, nomes inscritos apenas para preencher a cota de 30% reservada às mulheres nas chapas proporcionais. “É preciso observar se essas candidaturas irão se consolidar de fato. Até porque verificamos que as mulheres que conseguem se eleger ainda são aquelas que possuem uma carreira consolidada”, avalia.

De maneira geral, as mulheres estão mais presentes nas eleições deste ano. Em 2008, elas representavam 11,1% das candidaturas a prefeito no Brasil e 22% para vereador. Neste ano, os percentuais são de 12,5% e 32,4%, respectivamente. “É cedo para celebrar, visto que ainda existe uma discrepância entre o número de candidatas e daquelas que conseguem se eleger”, observa Janaína Xavier do Nascimento, doutora em sociologia política e professora da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

Escolaridade é maior entre candidatos a prefeito

Os mais de 30 mil candidatos que vão disputar as eleições no Paraná em outubro estão mais escolarizados em relação àqueles que participaram do pleito de 2008. É o que apontam as estatísticas das candidaturas divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Tanto entre os concorrentes a prefeito como a vereador, cresceu o porcentual daqueles que possuem o ensino superior completo.

Entre os candidatos a prefeito, quase a metade (49,3%) já concluiu a faculdade. Entre os concorrentes às câmaras municipais, esse porcentual é menor, de 20%, já que a maioria (33,8%) completou apenas o ensino médio. Em 2008 o índice de candidatos com ensino superior era de 46,6% na disputa para prefeito e de 17,9% para vereador. A média atual no Paraná também é superior à nacional, de 48,9% entre os concorrentes às prefeituras e 18,4% para as câmaras. Um dado que chama a atenção é que existem no estado 11 candidatos a vereador que se declararam analfabetos. No Brasil eles somam 185.

Para o cientista político Luiz Domingos Costa, o aumento no grau de escolaridade dos candidatos pode representar um maior fechamento da disputa. “Os candidatos que não têm essa credencial estão cada vez mais alijados de concorrer politicamente. Por isso, é um equívoco pensar que os não diplomados participam plenamente da democracia”, acredita. Na sua avaliação, um político com mais escolaridade não é garantia de melhor desempenho que alguém com menos estudo. “Muitos daqueles envolvidos com corrupção têm alta escolaridade”, lembra.

Legislação

Partidos e coligações devem ter mínimo de 30% de candidatas

Uma das explicações para o aumento no número de mulheres candidatas nas eleições deste ano é uma mudança na legislação eleitoral, no que diz respeito à cota reservada à participação feminina nas eleições proporcionais. Até 2010, partidos e coligações deveriam reservar pelo menos 30% de suas candidaturas a mulheres, mas sem a necessidade de que elas fossem efetivamente preenchidas. A partir de 2012, não basta apenas reservar esse porcentual, é preciso que as candidaturas sejam inscritas.

“Foi uma grande conquista, que seguramente impactou no aumento do número de candidatas mulheres. Mas ela ainda precisa ser somada a outros instrumentos que tornem mais eficiente a participação feminina no processo político”, avalia a professora da UTFPR Janaína Xavier do Nascimento. Uma das necessidades apontadas por ela é fazer com que os partidos tratem suas candidatas mulheres em condição de igualdade com os homens. “Há abertura para essas candidatas, mas elas ficam em segundo plano, não recebem o mesmo apoio que os demais”, acrescenta.

 

Gazeta do Povo