27-02-2013/09:14:24
Juan está em débito. Em débito com a torcida, em débito com o Inter. Mas, acima de tudo, em débito com ele próprio. Contratado em julho de 2012 para resolver os problemas do sistema defensivo, o zagueiro não conseguiu ritmo. Sofreu com as lesões. Agora, com sequência de jogos, espera, enfim, atender as expectativas.
O jogador de 34 anos começaria o Gre-Nal do último domingo no banco de reservas. No entanto, no rachão de sábado, Ronaldo Alves sentiu uma lesão muscular na coxa direita. Foi a chance Juan iniciar o clássico. Com boa atuação e sem muitas opções (Índio e Jackson também estão com problemas clínicos, restando os jovens como Romário e Alan como alternativas), o ex-zagueiro da Roma espera quitar a dívida e encerrar a tristeza que o acometeu pelo longo tempo fora dos gramados.
- Antes de tudo, estou em débito comigo mesmo. Sei o que posso fazer em campo, tudo que ainda posso fazer. Minha carreira foi toda em grandes clubes. Me faz mal não estar em campo. Eu sei o que as pessoas esperam de mim. Fico chateado de não ter retribuído.
O início do zagueiro parecia que seria de frutos no Beira-Rio. Logo na estreia, contra a Portuguesa, no dia 19 de agosto do ano passado, entrou no lugar de Elton e marcou o gol colorado no empate em 1 a 1. Entretanto, em seu terceiro jogo pelo clube gaúcho, começou a conviver com as agruras dos problemas clínicos. Diante do Coritiba, dez dias depois, sofreu um estiramento na coxa esquerda.
Quando se recuperava, torceu o tornozelo direito, no dia 26 de setembro. Treze dias depois, foi acometido de uma indisposição estomacal, que o retirou dos embates contra Atlético-MG e Atlético-GO. No dia 17 de novembro, antes do duelo com o Corinthians, teve uma lesão no joelho esquerdo, que o alijou da partida - que culminou com a recusa de Bolívar a se relacionar com os companheiros.
Veio 2013 e tudo pareceu que mudaria. Chegaram Dunga e Paulo Paixão. Titular do ex-capitão do tetra na Copa de 2010 na África do Sul, Juan iniciou a pré-temporada como titular. No entanto, ainda no período de preparação na serra gaúcha, teve uma lesão muscular na coxa esquerda. Só estreou contra o Pelotas. Até o momento, foram três jogos. Agora, com a oportunidade de ter uma sequência, o zagueiro acredita que poderá reeditar seus grandes momentos de Seleção e Europa, onde atuou por Bayer Leverkusen e Roma.
- Ritmo de jogo é sempre importante. Foram duas já e com mais duas ou três vira um número interessante. O nível de entrosamento ainda não é o ideal. Então, quanto mais tempo a gente puder jogar, melhor.
Além disso, Juan se sente respaldado com a dupla da comissão técnica. Os quatro anos em que conviveram pela seleção brasileira surgem como trunfo, até pelo conhecimento que ambos têm do zagueiro, um dos homens de confiança do treinador.
- Eles me conhecem, sabem do meu caráter. O diálogo é mais aberto e a confiança é maior. Até para falar sobre o jogo. A confiança é grande, foram muitas batalhas juntos. Você tem um feeling maior com o treinador. E isso é positivo.
Com a confiança e a esperada sequência, Juan espera provar que segue o mesmo jogador. Ele tentará melhorar os números, já que disputou apenas nove das 28 partidas do grupo principal desde que estreou pelo Colorado (o levantamento não leva em consideração os dois jogos do time sub-23 contra Passo Fundo e Cerâmica, mas conta o jogo com o Lajeadense, que Dunga preservou os titulares), o que dá uma frequência de 32,14% em campo.
Fonte:Globo Esporte