05-03-2013/09:43:31
Era para ser uma simples cerimônia. Mas a manhã cinzenta desta segunda-feira teve sensação de déjà vu para Claudiomiro. Ao plantar a grama ao lado do presidente Giovanni Luigi, a memória do ex-centroavante do Inter voltou quase 48 anos. O Bigorna, como era conhecido, lembrou-se daquele domingo, 6 de abril de 1969, quando atuou na inauguração do Beira-Rio diante do Benfica e marcou o primeiro gol da história do estádio ao aparar um cruzamento da esquerda e mandar de cabeça para o fundo das redes.
- Passa um filme na minha cabeça. Parece que foi ontem que marquei aquele gol. Estou muito emocionado em estar aqui plantando esta grama. É a continuação de tudo que eu fiz.
Questionado se gostaria de dar o pontapé inicial no jogo que marcará a reinauguração do Beira-Rio, Claudiomiro nem pareceu aquele centroavante destemido que rompia as defesas adversárias. Disse que seu intuito é apenas contribuir com o clube.
- Seria legal, mas vamos aguardar até lá. Falta muito tempo. O principal foi ajudar. Quero estar ao lado do Inter sempre.
O plantio do gramado apresenta uma tecnologia inédita no Brasil. O processo se dá por muda - também existem a semeadura e o rolo como formas de plantio. Ainda não usada no país, a grama bermuda "tifgrand" vem da Flórida, nos Estados Unidos. É do tipo verão e se entrelaça ao solo devido a uma camada de 10 cm de terra misturada a fibras elásticas, que se agarram ao material jogado pelos funcionários.
Após o cultivo, começa o "grow in", que se trata da manutenção do processo e dura 90 dias. De acordo com o engenheiro Fábio Câmara, diretor técnico da World Sports, empresa responsável pelo campo, será possível visualizar o verde completo em 120 dias, no máximo.
As diferenças em relação ao campo em que os jogadores pisaram até o fim do ano passado são muitas. Primeiro, o gramado foi centralizado em quatro metros. Abaixo da grama, há camadas de brita e areia, que foram enviadas para análise a uma empresa de fora do país.
O projeto foi desenvolvido em parceria com a Fifa. Para evitar qualquer contratempo, a empresa irlandesa STRI, mesma que ajudou nos campos da Copa do Mundo da África do Sul, entrou em ação e analisou microclima, o ambiente e tudo que poderia causar algum impacto no campo.
Além da preocupação com as deformidades, houve o cuidado para fazer o campo suportar o pior dos temporais. O Beira-Rio agora terá drenagem rápida e a vácuo. Ela será totalmente modificada. O sistema agirá como um exaustor e conseguirá absorver a água e fazê-la escoar sem prejudicar o andamento da partida.
Com o fechamento do mês de fevereiro, as obras de modernização do estádio Beira-Rio alcançaram a marca de 62%. Depois de concluir a arquibancada inferior e o plantio da grama do palco gaúcho da Copa de 2014, as equipes da Andrade Gutierrez concentram-se na arquibancada superior.
A empreiteira executa a remoção da camada superior e inferior do concreto - em fase final de conclusão - e aplica reforço na armadura. A nova estrutura terá capacidade para receber 22 mil torcedores. O acesso será pelas rampas já existentes e por 19 elevadores. A previsão de término desta etapa é agosto com a instalação dos novos assentos. A tendência, no entanto, é de que o estádio só seja reaberto no final do ano.
Cerca de 1,1 mil funcionários trabalham nas obras atualmente. A casa colorada receberá cinco jogos na Copa do Mundo de 2014.
Fonte:Globo Esporte