25-04-2013/10:26:03
Vadão: 'Tínhamos que superar nossas maiores |
Oswaldo Fumeiro Alvarez é um cara de convicções. Assiste a todos os jogos possíveis, documentários sobre futebol e se mostra um estudioso da modalidade, mesmo de um tempo em que nem era treinador ainda. Quando armou o Criciúma pela primeira vez no 4-3-3, teve a certeza que daria certo em campo. O porquê da escolha é simples como o homem de Monte Azul Paulista: precisava fazer com que a equipe somasse mais pontos no Campeonato Catarinense. Deu tão certo, que terminou com o título do returno do Estadual – e a vaga nas semifinais da competição – mesmo com empate após quatro vitórias seguidas.
O êxito ele atribui mais a oratória do que o conhecimento de técnico de futebol. Vadão acredita que tenha sido fácil fazer o Criciúma atuar em 4-3-3. O mais difícil seria fazer com que o time jogasse de forma ofensiva sem perder o poder de marcação. Aí entrou o verbo. O treinador conseguiu convencer os jogadores que a formação inspirava uma boa carga de doação.
- A parte tática, por incrível que pareça, não me deu trabalho. Quando coloquei os três atacantes eu tinha convicção que iria dar certo, já no primeiro jogo. Como o Fabinho já tinha jogado comigo assim, eu sabia que do lado dele eu não teria problema em ele atacar e defender, porque tinha feito isso comigo no Guarani. Eu precisava fazer isso com o Lins, que ele também fizesse essa função. E o Lins faz a função, está fazendo e não deixou de fazer gols. Não atrapalhou. Os dois jogadores, embora sendo ofensivos e terem que marcar, não tiveram o futebol afetado. Os dois estão jogando bem, com o Lins sendo o artilheiro. Isso não prejudicou e acrescentou demais no plano tático do jogo.
A formação em campo se assemelha ao ‘moderno’ 4-2-3-1, em que a linha de três costuma ser povoada em maioria por meias ou meia-atacantes. Ivo seria o único meia de origem na linha que tem dois atacantes, no Criciúma. Porém, o técnico Vadão não gosta muito da definição, ‘porque no futebol tem apenas três linhas, defesa, meio e ataque’. A convicção de usar três atacantes foi mais em virtude da situação do time no Campeonato Catarinense que qualquer outro motivo.
- Eu tava jogando no Sport com três atacantes também. O problema não é nem de querer jogar da mesma forma. Quando fiz o estudo da tabela, depois do primeiro jogo contra o Atlético-IB (sua estreia, com derrota por 3 a 2, em casa), quando fui fazer as contas e por índice técnico a gente estava distante, tínhamos que brigar muito para chegar lá, eu pensei: ‘Bom, só tem uma solução. Temos que ser um time que busque a vitória e que também tenha boa marcação’, porque não adianta você só atacar. ‘Vou tentar com três atacantes, com Lins, Fabinho e vou colocar um homem de referência na frente e cobrar uma marcação lá na frente destes atacantes’. Daí coloquei na cabeça dos jogadores o quanto nós precisávamos ganhar, ganhar, ganhar e que tinham que se multiplicar em campo, para que o esquema tático não fosse só ofensivo e a gente não se defendesse bem.
Com o time montado e as responsabilidades distribuídas, segundo ele, ainda viria a parte que seria mais complicada. Era preciso convencer um grupo abatido pelas críticas que poderia fazer a diferença. Contra o Avaí e Chapecoense, a equipe empatou, mas não baixou a guarda. No jogo seguinte, o Criciúma faria a maior goleada do Catarinense, o 8 a 0 sobre o Juventus, para deleite da torcida no Heriberto Hülse.
- Fiz o primeiro jogo e no segundo eu defini três atacantes (empate em 2 a 2 com o Avaí). Mesmo com o campo alagado, eu gostei muito da formação. No segundo jogo em casa, em que nós empatamos com a Chapecoense (em 0 a 0), nós tivemos muitos desfalques, por cartões e contusões. A gente desfigurou um pouco a forma de jogar. Aí no jogo seguinte, contra o Juventus, a gente voltou com a formação que está aí até hoje. Só que nós mostramos aos jogadores que o nosso diferencial era de vencer muitos jogos seguidos para poder ter chance de classificar. Para isso, tínhamos que ter uma doação maior possível para superar nossas maiores limitações, como o entrosamento. Dei uma função tática aos três atacantes em que o Fabinho e o Lins tinham que se sacrificar um pouco na marcação, deixando só o Marcel isolado. Tinham que compor o meio de campo para sermos um time ofensivo, mas não ser vulnerável na marcação. Aquele jogo dos 8 a 0 nos deu uma força muito grande. A partir daquela partida, os jogadores passaram a acreditar que aquele tipo de marcação, aquela ofensividade, aquele impulsividade poderia nos levar onde nos levou. Podem falar que o Juventus era fraco, mas fizemos oito.
Fazer colar a ideia, considera o treinador, foi sua maior contribuição. Vadão arriscou tudo num esquema com três atacantes e colocou no currículo a taça de uma fase do Catarinense. Sinal de que a ‘resenha’ foi bem aceita pelos atletas.
- Acho que foi o grande mérito meu. Porque acho que o discurso foi bom, os jogadores acreditaram. Porque às vezes você vem com a ideia melhor possível e você não consegue transmitir aquilo com segurança e o jogador não acredita muito naquilo que você está falando. Eu estava muito convicto da pontuação, pelo que estudei junto com a comissão. Nós precisávamos agredir, tinha que ganhar 3 ou 4 jogos seguidos caso contrário a gente não iria classificar. Os jogadores entenderam muito bem isso. Acho que o mérito meu não foi o plano tático, foi passar uma coisa em que eles acreditaram que aquilo poderia nos dar a classificação. E eles acreditaram.
Fonte:Globo Esporte