04-09-2013/10:52:06
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Nos dois primeiros jogos como interino, Sílvio Criciúma levou o Tigre para uma vitória e um empate. Ganhou tempo extra na função. O triunfo fora de casa no último domingo, diante do Vitória, deu maior respaldo ao trabalho curto e também a confiança de gente que já dividiu o gramado quando ele era jogador. O ex-goleiro Alexandre e o ex-capitão do Criciúma Itá são unânimes. Para eles, Sílvio está lugar certo e na hora certa.
- Se aproveitar, pode começar a caminhar. Caso contrário, pode retardar o passo novamente e aí perde o tempo que teve. O torcedor quer ver um técnico que ponha o time para frente, que tenha esquema de jogo, jogadas ensaiadas, o que a gente não vê por aí. Poucos times têm isso, acho que o Corinthians e o Atlético-MG têm isso. O resto é um bando de louco em campo. Como o Silvio foi um jogador vencedor, e também líder e capitão de alguns clubes em que jogou, tem perfil para fazer as coisas se modificarem. Ele contou com a volta de jogadores importantes e um meio de campo mais participativo, que joga para frente. Se ele tiver o comportamento tático de olhar para frente e botar o time em direção do gol adversário, de fazer o time jogar com comprometimento e atitude, não tenho dúvida de que pode ser um vencedor também como técnico de futebol, pois está no lugar certo e na hora certa – avalia Itá, que defendeu o Tigre entre 1986 a 1993.
- Eu o vejo muito mais maduro a partir da vinda do Vadão. Quando você está no meio, acaba aprendendo. A estrela dele brilhou mais uma vez. Ele está no momento certo e na hora certa. Ele assumiu o time que já tinha uma preparação. O Vadão já deixou um trabalho feito. Ele é uma pessoa boa e correta. Na vida dele profissional e pessoal sempre foi uma pessoa correta e simples demais. É uma pessoa que procura aprender, não é arrogante. É querido e todos respeitem e gostam dele como é. Assim como o Felipão, o Sílvio tem estrela. Está no momento certo e hora certa, os jogadores estão ajudando também – comenta o ex-goleiro Alexandre Pandóssio.
Vanderlei João Mior, maior artilheiro da história do Criciúma, gosta da ideia, mas não demonstra estar convicto. O ex-companheiro ainda espera ver um pouco mais de Sílvio na interinidade. No entanto, torce e acredita que o amigo tem a possibilidade de desenvolver um trabalho sólido, ainda mais por conta da relação que tem com o clube.
- O Sílvio é um vencedor natural. Na carreira como atleta jogou em grandes clubes, teve sucesso e acho que isso pode se transferir para a condição do treinador. Tem minha aprovação momentânea, mas precisa dos resultados. Eu torço para que os resultados venham para que se mantenha no cargo. Eu torço por ele porque é uma pessoa daqui, a gente sabe da índole dele, da seriedade. Ele foi um ex-colega meu, assim como torceria se fosse Roberto Cavalo, o Wilsão, o Evandro, o Sarandí (outros que jogaram com Vanderlei e estão ou estiveram envolvidos com o futebol). Eu confio no trabalho dele porque conhece o Criciúma Esporte Clube, está vinculado sentimentalmente com o clube - justifica Vanderlei.
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Assumir, mas com coragem
Os resultados recentes fazem crescer no torcedor a vontade de ver Silvio Criciúma por mais tempo como treinador, e não apenas até o final do primeiro turno do Campeonato Brasileiro, conforme assegurado pelo departamento de futebol. Para assumir como treinador, segundo os ex-companheiros, será preciso uma parcela de coragem.
Para Alexandre, Sílvio teria quer assumir ao clube a vontade de ser treinador de futebol e dar o pontapé na carreira, deixando de lado algum receio quanto perder o cargo de auxiliar.
- A pergunta é se está preparado ou não. Após a partida contra o Botafogo (último jogo do primeiro turno), se disser que é funcionário do clube e é o clube quem decide, penso que não está preparado ainda. A partir do momento que disser que quer ser o treinador, fica sujeito a perder o emprego como auxiliar para se lançar na carreira. Como técnico ele pode pegar outras equipes e dar sequência, como também pode passar o que outros passam, de ficar desempregado por um período. É uma escolha dele. Se chegar, bater no peito e pedir para ser colocado como técnico, vai demonstrar que está preparado. Gostaria de vê-lo como treinador, se lançar no mercado e sem medo de perder o emprego. A partir do momento que ele seguir muito bem, emprego não vai faltar se tiver condição.
De acordo com Itá, a coragem não está em apenas assumir a condição de preparado à função de treinador. Para o homem que ergueu a taça da Copa do Brasil em 1991, Sílvio precisa se assumir como vencedor, como no tempo em que estava em atividade dentro das quatro linhas.
- Se jogar para frente, vai ter a minha aprovação. Gostaria que tivesse uma posição própria do que foi em campo, ele foi um vitorioso. Como técnico, tem que provar que não foi vitorioso por acaso. Como jogou em mais times do que eu joguei, acho que ele teria um cartel de opções para fazer as jogadas ensaiadas. Gostaria muito que ele acertasse, porque temos um prata da casa que pode dar certo e ficar anos no Criciúma, algo que o futebol brasileiro não tem deixado - comenta o ex-jogador.
Fonte:Globo Esporte