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Falcão comemora 60 anos
Falcão comemora 60 anos

16-10-2013/18:10:02

Falcão comemora 60 anos com orgulhos, dores e sonhos no futebol
Agora sessentão, ídolo de Inter e Roma e um dos maiores craques brasileiros garante disposição de sobra para voltar a treinar em 2014

Falcão 60 anos do craque

Colorado algum sabia. Torcedor algum do Roma poderia imaginar. Não havia fã de futebol bonito, de classe, de refinamento, que pudesse calcular o que acontecia naquele 16 de outubro de 1953, aparentemente apenas mais um dia na pequena cidade de Abelardo Luz - tão pequena que sequer era emancipada naquela época. Esta quarta-feira marca os 60 anos do nascimento de Paulo Roberto Falcão, ídolo eterno no Inter, rei na Itália, sinônimo do típico talento brasileiro. Agora sessentão, o craque dos anos 70 e 80 completa mais uma década disposto a manter sua dedicação ao futebol. Quer voltar a treinar já em 2014, sustentado nas conquistas, nos orgulhos e nas decepções que colecionou ao longo da vida.

 

As festividades serão no fim do mês. E em Roma. Ele comemorou os 50 anos em Porto Alegre e decidiu dedicar à capital italiana os 60. São as duas cidades onde é mais idolatrado. Justifica-se: nelas, foi um dos responsáveis por revolucionar as histórias de dois clubes.

 

- O que mais me deixa orgulhoso é o reconhecimento das pessoas. Isso é fundamental pra mim. É até por isso que vou fazer minha festa temática de 60 anos em Roma. Ainda hoje, quando entro no estádio, as pessoas me aplaudem de pé. É muito marcante - diz o aniversariante, por telefone, de Porto Alegre.

Antes de virar quase uma santidade em Roma, Falcão foi tricampeão brasileiro com o Inter. Era a figura mais genial daquela geração dona dos títulos de 1975, 1976 e 1979 - o último de forma invicta, feito ainda hoje inédito. Com ele, e em grande parte graças a ele, a equipe colorada invadiu o cenário nacional, do qual o futebol gaúcho jamais deixaria de ser protagonista. É, para muitos, o maior ídolo da história do clube vermelho.

- Os títulos com o Inter foram muito marcantes. Em 1975, era um time novo, e aquilo resultou em um título invicto em 79. Foi o início do respeito ao Inter e ao futebol gaúcho - comenta.

Falcão esteve acompanhado por craques como Figueroa e Carpegiani naquele Inter. Outro bom de bola era o volante Batista, parceiro inseparável do camisa 5 no meio colorado.

- Tudo bem que naquele tempo o meio-campo não era tão povoado como hoje, mas fomos campeões brasileiros (1976) jogando com três volantes. Eu e Falcão sabíamos chutar, marcávamos bem, isso era bom e confundia a marcação adversária. Sabíamos nos soltar. Um dizia pro outro "vai que eu fico". Com isso, atingimos metas importantes na carreira. O Falcão, então, era um jogador completo. Sua maior virtude era a versatilidade. Iniciou como volante, depois jogou mais adiantado, sempre com um passe muito bom, preparo físico impressionante, tinha muito pulmão - recorda Batista.

Do Inter, Falcão rumou para o Roma, em uma das transferências mais impactantes da história do futebol brasileiro - em uma época em que perder os grandes craques para a Europa ainda não era tão comum. Lá, foi tão ídolo quanto no Brasil. Ele encantou os italianos com seu futebol. E o mais impressionante: fez o Roma ser campeão nacional depois de impressionantes 42 anos. Virou rei.

- A cidade enlouqueceu. Até hoje, eles têm esse agradecimento simbolizado em um brasileiro que foi para lá. Eles exageram nisso de Rei de Roma. Era um time muito genuíno, simples, perto das potências. Foi um time construído sem envolvimento econômico. Acho que o grande legado que levo foi ter criado, numa cidade como Roma, um time competitivo. As pessoas me perguntam qual foi minha grande contribuição: acho que foi ter convencido aqueles jogadores de que eles poderiam jogar mais.

Falcão era jogador do Roma quando foi para a Copa do Mundo de 1982. Era seu auge. E foi, ao mesmo tempo, um de seus maiores orgulhos e uma de suas maiores decepções. A histórica seleção daquele Mundial, ainda hoje uma referência de futebol vistoso, de talento, não conseguiu ser campeã.

- Foi muito mais marcante ter participado dessa geração do que não ter ganhado a Copa. Eu diria que futebol engloba quatro situações: jogar bonito e ganhar, jogar bonito e perder, jogar feio e ganhar, jogar feio e perder. O mundo quer o primeiro. Todo mundo opta por isso. Mas acho que tem uma quinta situação: jogar para a história. E só joga para a história quem forma um time assim. Esse time entrou para a história sem ganhar. Quem entra para a história sem ganhar é um grande vencedor.

Falcão retornou ao Brasil para defender o São Paulo. Já era a reta final de sua carreira, e ele não teve o mesmo sucesso alcançado nos clubes anteriores. Mesmo assim, foi campeão estadual. Ainda disputou a Copa de 1986, mas longe de ter o rendimento anterior - prejudicado por um problema no joelho. E aí se aposentou. Automaticamente, virou um exemplo, um norte, como deixa claro Junior, seu colega de Seleção.

- O Paulo serve de referência para todos nós por seu jogo, seu estilo. Para você ter uma ideia, o Falcão era aquele tipo de jogador capaz de jogar num campo cheio de lama e sair impecável, pela sua classe, técnica, elegância. Não é à toa que é considerado o Rei de Roma. Foi importante também para a abertura do mercado europeu para todos nós nos anos 1980. Com o seu futebol e o seu comportamento profissional, exemplar, abriu as portas para todos nós daquela geração de 82, que fomos depois. Como colega de Seleção, sempre foi um grande companheiro, além do jogador extraordinário. Na Copa de 86, por exemplo, fiquei numa situação difícil, porque acabei o substituindo no meio de campo devido ao seu problema no joelho. E ele foi o primeiro e me dar força, foi dos que mais me apoiaram - comentou Junior.

A década de 90 trouxe novas realidades para a relação entre Falcão e o futebol. Ele virou treinador e depois comentarista. Como técnico, já começou no ponto máximo: tendo que comandar a Seleção. Foi o responsável por fazer uma forte revolução no elenco depois do abalo da queda para a Argentina nas oitavas de final do Mundial da Itália, em 1990 (veja como foi a estreia dele no vídeo ao lado). Foi vice-campeão da Copa América em 1991. Mas não durou muito no cargo. Acabou alijado do objetivo de levar a equipe à Copa de 94 - que acabou conquistada pelo Brasil sob o comando de Carlos Alberto Parreira.

- Acho que, naquela situação, ser vice na Copa América foi uma conquista. Era um momento de renovação total. Chegamos em segundo com uma geração nova. Eram apenas quatro jogadores mais experientes. E a safra não era boa. Para você ter uma ideia, a final do Campeonato Paulista (de 1990) foi entre Bragantino e Novorizontino - explica.

Depois, Falcão comandou o América do México (saiu um jogo antes da conquista da Copa Concacaf), o Inter (sem resultados expressivos) e a seleção japonesa. Aí mergulhou na carreira de comentarista. Passou cerca de 15 anos na TV Globo. Também teve um programa dominical na Rádio Gaúcha e uma coluna diária no jornal "Zero Hora". Voltou a treinar em 2011. E novamente no Beira-Rio.

Foram alguns dos meses mais fortes da vida de Falcão. Ele assumiu a equipe em meio à disputa do Gauchão e da Libertadores, como substituto de Celso Roth. Sua primeira derrota foi justamente a eliminação no torneio continental, de que o Inter era campeão. Levou 2 a 1 do Peñarol no Beira-Rio.

Mas o time se reergueu. E foi campeão gaúcho com uma vitória épica sobre o Grêmio. No primeiro jogo, o Inter perdeu em casa por 3 a 2. A decisão foi no Olímpico. Era Falcão, maior ídolo colorado, contra Renato Portaluppi, maior ídolo tricolor. Ao entrar em campo, o comandante vermelho passou a ser muito hostilizado. Foi xingado por milhares de gremistas. Lentamente, dirigiu-se para trás do banco de reservas, cruzou os braços e olhou alguns dos torcedores nos olhos. Era uma declaração de guerra. Em uma guerra que parecia perdida...

No jogo, o Grêmio logo fez 1 a 0. Com o título cada vez mais distante, Falcão mandou Zé Roberto a campo ainda no primeiro tempo, no lugar do zagueiro Juan. O meia-atacante destruiu com o jogo. Participou dos três gols da virada para 3 a 2, que levou a decisão aos pênaltis. E foi justamente ele quem converteu a cobrança final, dando o título ao Inter. Foi uma enorme vitória de Falcão aquele título.

Mas chegou o Brasileirão, e o time oscilou. Teve jogos brilhantes, como a goleada de 4 a 0 sobre o Atlético-MG em Sete Lagoas, e derrotas feias, como os 3 a 0 para o São Paulo em casa. Foi nesse jogo que ele caiu. A demissão foi um enorme choque para Falcão, que se viu vítima de uma decisão política. Ele era homem de confiança do vice de futebol do Inter, Roberto Siegmann, desafeto do presidente do clube, Giovanni Luigi - por mais estranho que isso soe.

- É impressionante a relação que tenho com a torcida do Inter. Muitos me encontram e falam da injustiça da minha demissão. Chegam a ser agressivos quando falam disso. É uma felicidade pra mim essa reação deles, pela maneira catastrófica que foi minha demissão, em uma escolha que não foi feita por uma questão de resultados, mas por política.

Na prática, não foi apenas a questão política. O time estava mal. O trabalho de Falcão era contestado internamente, e algumas escolhas se mostravam equivocadas - o treinador chegou a duvidar da capacidade de Oscar ser titular do time, mas também insistiu em peças que hoje dão resultado, caso de Ricardo Goulart, em vias de ser campeão brasileiro como um dos destaques do Cruzeiro.

Em 2012, Falcão foi para o Bahia, e lá teve trajetória parecida com a do trabalho anterior. Não foi longe na Copa do Brasil e teve desempenho instável no Campeonato Brasileiro, mas ganhou o Estadual. Detalhe: o Tricolor não era campeão havia dez anos.

- O título foi muito importante, e era uma espécie de prioridade, mas depois perdemos muitos jogadores por lesão, incluindo o Souza, que estava em ótima fase. Mas o Bahia não era campeão baiano há muito tempo. Marcou muito.

Falcão não treinou equipe alguma depois de deixar o Bahia. Ainda busca maior reconhecimento como treinador.

- Muita gente que mexe com futebol acha que não devo ser treinador. Outros não me procuram porque acham que sou caro. Um amigo brinca: "É porque teu terno é Armani." Muita gente acha essas coisas. Não sou barato mesmo, porque tenho uma história, uma preparação. Talvez não tenha todo o reconhecimento, mas conheço minha qualidade.

Nos últimos meses, Falcão foi à Itália para fazer uma espécie de intercâmbio. Quer se aprimorar como treinador. Espera voltar a exercer a profissão em 2014. Aos 60 anos, tem certeza de que ainda tem muito a oferecer ao futebol.

Fonte:Globo Esporte