25-10-2013/10:40:11
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Eram 35 minutos do segundo tempo. O Grêmio empatava em 0 a 0 com o Corinthians. Ainda de abrigo, sentado no banco de reservas, na Arena, Elano começou a escutar seu nome ecoando nas arquibancadas. Para ele, foi como um chamado divino. Que deu certo. Entrou bem, acertou um dos pênaltis e virou protagonista-relâmpago na classificação às semifinais da Copa do Brasil.
Depois da partida, ao chegar em casa, em Porto Alegre, recebeu da esposa Alexandra uma frase que o marcou. Contundente o bastante para resumir o que o meia, de 32 anos, espera simbolizar o início de uma nova fase.
- Minha esposa disse uma coisa ontem (quarta-feira) que marcou muito. De esquecido, passei a ser recordado por todos em cinco minutos. Era minha vida ali em cinco minutos. Foi bem assim - conta, em conversa com o
Na entrevista exclusiva, Elano lembrou cada segundo. Sempre com sorriso no rosto e brilho no olhar, de quem tem a consciência de que pode recuperar espaço com Renato. Sem Vargas, Barcos e Kleber para o primeiro confronto da semifinal da Copa do Brasil, o meia também se colocou à disposição para atuar até de atacante, se Renato achar necessário. Afinal de contas, está mais do que nunca otimista em resgatar algo carente entre torcedores: títulos. Trabalhará para ajudar, mesmo que esteja fora dos 11 escalados. Ou que tenha apenas cinco minutos.
– Com apenas cinco minutos em campo, você conseguir ser um dos personagens da classificação do Grêmio na Copa do Brasil. Como aconteceu?
Elano – Quando eu falo como isso aconteceu, digo que Deus faz as coisas e a gente não entende como. Ele não muda a história, mas muda o final. Acredito que o final ainda não chegou. Tem muitas coisas boas para acontecer. Creio nisso. Trabalho para que seja assim. Luto por isso. E, quando entro, tento fazer o meu trabalho. Minha esposa disse uma coisa ontem (quarta-feira) que marcou muito. De esquecido, passei a ser recordado por todos em cinco minutos. Às vezes, Deus usa de pessoas para passar recado. Usou minha esposa, torcedores que gritaram meu nome, usou que o jogo fosse para os pênaltis.
Entrou sabendo que teria tempo mínimo em campo. Como encarou isso?
Fiquei feliz, mas também sabia que a responsabilidade era grande. Era minha vida ali em cinco minutos. Consegui tentar dar um chute no gol, cobrei um escanteio, sofri uma falta e tentei dar um passe. O jogo foi para os pênaltis. Errou, errou, depois acertou, fiz e acabamos ganhando. Eu, como ser humano, não consigo explicar. Não sabia que iria acontecer. O futebol sempre surpreende.
Para o primeiro jogo contra o Atlético-PR, Renato terá de mudar, já que não poderá contar com Vargas, Kleber e Barcos no ataque. Você pode brigar por uma dessas vagas, mais à frente?
Atuamos assim no jogo contra o Bahia (13ª rodada) e foi 3 a 0. Fui eu e o Barcos lá na frente (único jogo no 3-6-1). Joguei assim em vários clubes. Até gosto de atuar assim, com mais liberdade, sem precisar voltar tanto. Fica mais próximo do gol. Renato me conhece, é meu parceiro de ataque do rachão (risos). Graças a Deus, sempre fiz gols pela minha carreira. Gosto de estar perto do gol para finalizar.
Se sente em condições de atuar os 90 minutos?
Em um mês e meio fiz um jogo, mas estou treinando todos os dias. Vou para a academia, faço a minha corrida, trabalho 30 minutos antes de ir para o campo. Tenho treinado muito forte, me preparado. Meu treinamento tem sido como se fosse jogo. Uma hora a cada dia. Daqui para frente é preciso estar em alto nível. Se não, te atropelam. Aguento sem problema. Não sei de onde isso foi criado. Fiquei até o final em todos os jogos que o Grêmio estava perdendo. Se estava ganhando, eu saí. Nunca tive problema em relação a isso na minha carreira. Não me preocupa.
Você sente o Grêmio desta temporada diferente para alcançar título?
O Grêmio tem passado por reformulações e mais reformulações entre esses anos que não tem vencido. Não sei do passado. Mas teve algumas coisas, mudança do Olímpico para Arena. Isso prejudicou o clube e nós principalmente. O time foi montado em cima da hora da Libertadores. Tudo isso pesa. Agora, o Grêmio conseguiu se assentar. Conseguiu resgatar a Arena. O torcedor recuperou o espírito campeão, se adaptou melhor ao estádio e voltou a acreditar. Estamos na briga pela Copa do Brasil com outros três times e estamos nove pontos atrás do Cruzeiro no Brasileirão. Vamos lutar até o final para ser campeão.
Como lida com o fato hoje de ser reserva?
Fico triste. Sei da minha capacidade e quero ser titular. Mas tenho que respeitar os atletas que estão jogando. É uma troca de educação, ser homem, valorizar o que eles estão fazendo. Contra o Corinthians, pude ajudar em cinco minutos a conseguir a classificação. Não posso pensar diferente daquele que está em campo.
O Grêmio tem muitos jogadores jovens no elenco, como o Ramiro. Costuma passar orientações, dar dicas para os garotos?
Tenho proximidade dos mais jovens. O Ramiro é um amigo, legal para caramba. Eu ajudo. Como também auxilio os outros, Bressan, Alex Telles, Jean Derreti. Procuro sempre dar dicas. Sei da minha capacidade. O Renato sabe que pode contar comigo. Quando não houver mais isso, sou o primeiro a chegar nele e pedir para ir embora.
O seu contrato vai até o final de 2014. Já pensa no futuro?
Não tenho projeção ainda. Estou bem feliz, com criança na escola. Quando você não joga, claro, a procura existe. No momento, não tenho interesse (de sair).
Fonte:Globo Esporte