02-12-2013/09:13:49
Gritos, paixão e beleza: Torcedores do Criciúma dão show no Heriberto Hülse
Estádio do Tigre se despede desta edição do Brasileirão com mais do que alta taxa de ocupação. Tricolores das arquibancadas se apresentam como torcida de Série A
Torcedores foram show a partir no Heriberto Hülse neste Campeonato Brasileiro (Foto: João Lucas Cardoso) |
Gritos, incentivos e choros de alegria e tristeza fizeram do Heriberto Hülse também um caldeirão de emoções. Os torcedores do Criciúma se despediram de seu estádio desta edição do Campeonato Brasileiro no domingo, na vitória por 1 a 0 e “quase” permanência na primeira divisão. Vai a esperança de que o Majestoso, como chamam os tricolores, de fato volte a ser um dos palcos de jogos da elite do futebol nacional. Fica a certeza que nele marcou presença uma torcida de Série A. Quem esteve na arquibancada saboreou o retorno do Tigre à elite do futebol nacional após oito anos.
Constantes ou esporádicos é grande a lista de fatos protagonizados pela torcida ao longo dos quase sete meses de Brasileirão no H.H. Teve momentos de fúria e frustração, como também houve os de demonstrar claramente a paixão e a felicidade só por ver o Tigre em campo. O Criciúma se apresentou ao país como a cidade de belas e apaixonadas torcedoras e por deter uma torcida fiel e vibrante.
- Dos oito anos que estou no Criciúma, incluindo a base, foi o primeiro ano em que vi a torcida comparecer em todos os jogos. Apoiaram em todos as partidas, mesmo nas derrotas que ocorreram. Num campeonato que é um dos mais disputados do mundo, onde um time é campeão num ano e no outro briga para não cair, a torcida fez sua parte. Nós, jogadores, também corremos muito. Tivemos vacilos e bons momentos, como todos os times na competição. Se fosse pelo fator torcida, teríamos garantido a permanência na primeira divisão há muito tempo. Eles merecem, acompanham e vão junto conosco – resume e agradece o goleiro Bruno.
Acompanhe os principais ‘lances’ da torcida do Tigre no Brasileirão:
CONCENTRAÇÃO
Para um grupo de torcedores, os jogos iniciavam antes, bem mais cedo que a hora prevista para a bola rolar. Apaixonados começavam a esquentar as turbinas para a partida seguinte num tradicional ponto de concentração de torcedores. No pátio do bar, a premissa era de assar mascotes dos adversários, nem que fosse de brincadeirinha. Tricolores colocaram costelas de boi, porcos inteiros e até uma ovelha na brasa para fazer da cortesia um atrativo para aglutinar mais fanáticos quanto eles.
- Nem chamo o pessoal de cliente. Conheço por nome, eu conheço todos e todos se reúnem por causa do time. É verdade que como um negócio se trabalhe por lucro, mas o sentimento é de torcedor. A gente discute e briga, mas nunca por causa do bar, é coisa de torcedor mesmo. É uma relação diferente de cliente x proprietário. Nem me importo se trazem bebidas de fora para consumir no pátio do bar. Tem horas que até parece um camping – brinca Vaterlanio Machado da Silva, o Nem, proprietário do estabelecimento.
QUE BELEZA!
Loura ou morena, alta ou baixa, com a camisa do clube ou vestes que remetem ao Tigre. Além de grandes clubes do Brasil, o Heriberto Hülse recebeu belas torcedoras. A maioria delas foi além do desfile. Foi ao estádio para engrossar o coro de apoio ao time. Assim, consagraram o Majestoso como casa de uma das torcidas mais bonitas do Brasil. A presença feminina também contribuiu para ditar o ritmo em que pulsaram corações e gritos de incentivo, como Camilla Ronchi e Jaqueline Figueiredo, que tocam caixa na banda da torcida Os Tigres.
A torcida feminina tem a mesma importância da masculina. Nossa torcida é a mais linda e a que mais ajuda e apoia o time. Principalmente as mulheres também têm amor pelo clube. A beleza delas nem se comenta. É mais um fator que mostra que a torcida do Criciúma é diferente de qualquer outra – resume Maicon Beltrame, administrador de empresa, de 25 anos.
Veja galeria de fotos:no jogo contra o Corinthians e também na partida diante do São Paulo
DEPOIS DO APITO FINAL
A cena dava a entender que aquela era uma celebração por uma vitória avassaladora, mas na verdade não era. Foi cena comum haver um grupo de torcedores ainda no estádio até que o último jogador deixasse o gramado. Mas houve jogos em que os tricolores continuaram nas arquibancadas cantando até mesmo após derrotas. Contra o Flamengo, na 5ª rodada, por exemplo, o então técnico Vadão deu entrevista enquanto a torcida entoava cânticos de apoio ao time. Situação similar ocorreria na partida diante do Corinthians, com direito a sinalizadores nos minutos finais.
- A torcida foi linda. Mostramos ao Brasil que somos uma das melhores torcida do país e também que apoia o Criciúma de forma incondicional – resume o representante comercial Gregori Fogaça Olímpio, de 29 anos.
Também teve manifestação de como se o jogo estivesse em andamento, mas para celebrar uma vitória. O 2 a 1 sobre o Grêmio, pela 8ª rodada, reabilitava a equipe naquela momento da competição. Pois a torcida outra vez continuou no estádio para cantar e comemorar um resultado positivo. Não muito diferente do ocorrido no último jogo do estádio neste Brasileirão.
Não apenas craques de times brasileiros, além dos do Criciúma, passaram pelo Heriberto Hülse. Outras presenças de ilustres ou reconhecidos por suas façanhas também estiveram pelo estádio criciumense em jogos do clube. No começo do Campeonato Brasileiro, na partida diante do Santos, pelo quarta rodada, Maicon, criado na capital do carvão e hoje lateral-direito da Roma e da seleção, vibrou com o triunfo do Tigre por 3 a 1. A musa do Criciúma no Brasileirão, Nani Gazinski esteve em diversas ocasiões e esbanjou simpatia com a camisa e faixa tricolores. Ainda houve quem esteve pela primeira vez no Majestoso, como o carioca Maurício Fernando Paixão Guimarães que torce para o Carvoeiro desde menino e apareceu pela primeira vez para torcer pelo clube catarinense que aprendeu a amar em seu estádio.
PROTESTO
Pela paixão que têm pelo clube, torcedores do Criciúma não conseguiram esconder a insatisfação diante de supostos erros de arbitragens que prejudicaram a equipe do coração. O jogo diante da Ponte Preta foi mais emblemático. No confronto anterior, diante do Cruzeiro, fora de casa, o Tigre sofreu com um erro. O árbitro Ricardo Marques Ribeiro pagou o pato. Os tricolores pegaram no pé do homem do apito, e ainda exibiram ao país a faixa que dizia: ‘Não vamos cair no apito’. Pelo ato, o clube foi julgado e absolvido. Assim, o Carvoeiro pôde receber o São Paulo, e vencer, para finalizar sua participação do Heriberto Hülse no Campeonato Brasileiro deste ano.
Fonte:Globo Esporte