06-12-2013/15:16:03
Novo enterro de João Goulart repara dívida histórica, diz Maria do Rosário
Restos mortais de Jango retornaram nesta sexta para São Borja (RS) para o enterro com honras de chefe de Estado |
Os restos mortais do ex-presidente João Goulart embarcaram nesta sexta-feira para a cidade de São Borja, cidade natal de Jango, a 630 quilômetros de Porto Alegre, onde serão enterrados com honras de chefe de Estado, quando se completam 37 anos da morte do ex-presidente, ocorrida no dia 6 de dezembro de 1976.
50 anos da renúncia de Jânio e da Legalidade
A renúncia de Jânio acabou relacionada não à oposição, mas aos próprios setores conservadores. Em um contexto como este, não era difícil imaginar que Jango enfrentaria dificuldades. A reação, a campanha da Legalidade, é que acabou por pegar seus adversários de surpresa.
Para a ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH), Maria do Rosário, o novo enterro repara uma dívida histórica do Brasil com o passado. "Nosso objetivo é que o País tenha conhecimento de todos os fatos que constituem a nossa história, a nossa vivência nacional. O Estado cumpriu uma etapa para reforçar a democracia", disse a ministra momentos antes da partida do voo.
Na Base Aérea de Brasília, os restos mortais foram recebidos por militares das Forças Armadas e conduzidos para o avião da Força Aérea, com destino à cidade natal de Jango, como era conhecido o ex-presidente. A cerimônia foi acompanhada pela viúva de Goulart, Maria Thereza Goulart, os filhos, João Vicente e Denize Goulart, e os netos de Jango.
"Estamos enterrando um pai pela segunda vez e estamos desenterrando uma luta, uma luta de dignidade, de sofrimento pelo Brasil. Temos certeza de que fizemos o que estava ao alcance da família para esclarecer uma verdade que permanece oculta", disse João Vicente Goulart, filho do ex-presidente, referindo-se à investigação sobre a morte de Jango.
Em novembro, os restos mortais de Jango foram exumados com o objetivo de verificar as causas da morte do político. Cardiopata, ele teria sofrido um infarto, mas a autópsia nunca ocorreu. A suspeita da família, que em 2007 solicitou ao Ministério Público Federal (MPF) a reabertura das investigações, é que Jango tivesse sido envenenado durante o exílio na Argentina.
A dúvida foi reforçada por indícios que reforçaram a suspeita de que o ex-presidente tenha sido envenenado por agentes ligados à repressão uruguaia e argentina, a mando do governo brasileiro, na chamada Operação Condor, a aliança entre as ditaduras do Cone Sul para eliminar opositores além das fronteiras nacionais. O pedido de exumação foi aceito em maio deste ano pela Comissão Nacional da Verdade (CNV).
"Estamos cumprindo a responsabilidade que assumimos com a família, com a comunidade de São Borja e com o Brasil. Hoje é a data em que o presidente João Goulart veio a óbito, na Argentina, e nós assumimos um compromisso de que (após a exumação) os restos mortais seriam devolvidos nesta data para a comunidade", destacou Maria do Rosário.
Fonte:TERRA