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Heróis voltam a 83, reveem decisão e se emocionam
Heróis voltam a 83, reveem decisão e se emocionam

11-12-2013/16:49:00

 

Heróis voltam a 83, reveem decisão e se emocionam: 'Parece que foi ontem'

A convite de RBS TV e GloboEsporte.com, seis campeões do mundo se reúnem para assistir a lances da vitória sobre o Hamburgo. 'Choro até hoje', admite Espinosa

 

Espinosa, o grande comandante do time de 1983 em Tóquio (Foto: Lucas Rizzatti/Globoesporte.com)

Um enfrentou o trânsito difícil da Região Metropolitana de Porto Alegre. Outro peitou o medo de avião. Um terceiro cancelou compromissos importantes. Tudo para voltar no tempo. E assistir ao jogo mais importante de suas vidas. Mais do que isso: reviver uma época que passou há exatos 30 anos, mas, ao se observar as brincadeiras e a cumplicidade, parece nunca ter sido interrompida. A magia do título mundial do Grêmio em 1983 está, portanto, intacta. Sobrevive no semblante boquiaberto de Tarciso, no olhar brilhoso de Valdir Espinosa, na risada faceira de Baidek, na fala grave de Mazaropi, nas intervenções ligeiras de Paulo Roberto ou no jeitão expansivo de China. Seis dos heróis que venceram o Hamburgo em Tóquio num mesmo 11 de dezembro, como esta quarta-feira, se reúnem, a convite da RBS TV e do GloboEsporte.com.

Sentados num estúdio iluminado pelo sugestivo azul, o sexteto não se contém e passa a tecer comentários assim que o compacto de 20 minutos começa. O ex-zagueiro Baidek se espanta com a habilidade de Mário Sérgio. Antes volante, China passa a mão na careca do então técnico Espinosa ao ver um close da câmera no ex-comandante.
- Olha só, um gurizinho ainda... - completa o ex-goleiro Mazaropi.
O ex-lateral Paulo Roberto faz piada de sua própria finalização torta:
- Que chutão, hein?

Eles torcem, se cutucam, questionam, às vezes até erram. Em lançamento de China, Renato cortou o alemão duas vezes, mas... fora bloqueado. Espinosa até tentou antecipar:
- Aí foi o gol...
- Não, não... uma pena, podia ter me consagrado com o lançamento - remenda China.
Pouco tempo depois... o gol, marcado aos 37 do primeiro tempo, após merecida superioridade. Renato achou brecha entre a trave e o goleiro Stein: 1 a 0.
- Olha onde a bola passou! - espanta-se Mazaropi.
Aliás, Maza virou alvo de piadas após o gol. Havia uma cobrança para o pé preciso de Felix Magath, craque do Hamburgo. Espinosa usou a potência do telão para observar que havia sete gremistas na barreira. Deu risada, completada por China:
- É que a gente não tinha goleiro...

Claro que tinha. A bola parou nas mãos do goleiro tricolor. Quem não parou quieto no jogo, é bom frisar, foi Tarciso. Mesmo aos 33 anos, surgiu como o jogador mais agudo e perigoso do bom segundo tempo gremista. Teve ao menos três chances, sempre bem brecado por algum zagueiro rival na hora da finalização. Suas arrancadas animavam os colegas. Baidek chegou a soltar um "vai, Tarcisinho", como se a torcida pudesse mudar a história da jogada.

- Quando é que o Tarciso vai cansar? - tascou Espinosa.

 

Foi quando o treinador ficou sério. Reclamou pênalti de Renato, após carrinho na grande área. Os demais foram com o eterno chefe. Mas o árbitro francês Michel Vautrot mandou seguir. O castigo veio dobrado. Mesmo superior, o Grêmio permitiu, aos 41 do segundo tempo, um levantamento. Jakobsen escorou e Schröder empatou. O estúdio silenciou, apenas a voz tonitruante do narrador Celestino Valenzuela. China não se eximiu e quebrou o gelo:
- O Paulo César (Magalhães, lateral-esquerdo) marcou mal pra caramba! Só olhou a bola...

Mas, no primeiro capítulo da prorrogação, logo aos três minutos, Renato, que havia penado com cãimbras e ficara de fora no lance do revés, voltou com tudo. Cruzamento de Caio, casquinha de Tarciso e... corte seco e chute fulminante: 2 a 1.

Como se a sala se travestisse de estádio Nacional de Tóquio e aquela chuvosa terça-feira do contemporâneo 2013 se transformasse na madrugada brasileira de 11 de dezembro de 1983, Valdir Espinosa revive o ápice da carreira. Repete os gestos horizontais com os braços. Reprisa a súplica:

- Acabou, acabou.

Acabou nada. Grêmio, campeão do mundo. A história estava apenas começando.

O PRESENTE DE BAIDEK

Eu, sempre que fazia a cobertura, procurava pegar a bola e também o jogador, para que não viesse para cima da próxima vez. Era o meu jeito de impor respeito, não à toa me chamavam de Baidekão. Naquele jogo, a equipe tinha muita qualidade e tudo funcionou muito bem. Nós estávamos mentalmente fortes. Sabíamos que seria uma oportunidade única. Apesar do gol deles, conseguimos ter o domínio do jogo inteiro. Na prorrogação, fizemos um gol, poderíamos ter feito até mais. Confesso que, agora, ao assistir ao VT e ver os meus pais, me emocionei. São recordações de família, eles não estão mais aqui comigo. Foi o maior presente que dei para os meu pais.

MAZAROPI, O AGRADECIDO

Eu já não era mais garoto, tinha 30 anos. Mas tinha a confiança do grupo. É um privilégio para poucos conquistar o mundo. E eu tive. Sempre digo, agradeço todos os dias ao Grêmio, ao presidente Fábio Koff e aos jogadores que me receberam tão bem. Parecia que fazia parte do grupo desde o início (chegou na 2ª fase da Libertadores). E não é fácil um filho de ferroviários, gente humilde, sair de casa e ganhar o mundo. É algo muito grande. Perdi minha mãe no início da carreira. Todo o jogo, eu ia para dentro das traves, me ajoelhava e erguia os braços. Era quando conversava com a minhã mãe e também agradecia a ela, por estar sempre 

O GRANDE DIA DE CHINA

É, sem dúvida, o grande dia da minha vida. O Laercio, um ex-jogador do Inter, morreu em um jogo do master há pouco tempo. Eu disse, na ocasião: morrer com a camisa do Grêmio seria uma glória. Naquele jogo, houve um erro, no gol deles, de posicionamento. Bola nas costas do Paulo César Magalhães, que não viu o alemão passar. Mas o Espinosa era um baita psicólogo. Fazia a gente subir parede, quebrar muro, se precisasse. Então, vencemos. Era um jogo escrito para o seu Portaluppi. Eu errei gol, o Caio, o Tarciso... Era o jogo do Renato, não adianta. 

A ETERNA VISÃO DE PAULO ROBERTO

Todos eram tratados da mesma maneira pelo Espinosa. Todos tinham chances, tanto que ele me tirou em alguns jogos da Libertadores e eu reconquistei a posição. Jogava sempre o melhor. E, ao vencer a Libertadores, nós largamos tudo, deixamos tudo de lado, para viver esse momento em Tóquio. Meus pais foram para lá comigo. Tentei achá-los no estádio, mas só os encontrei no hotel. Eram as pessoas mais importantes e no meu título mais importante. Depois, a gente tinha a ansiedade de voltar. Me passa aquela imagem até hoje. O estádio Olímpico lotado, mas não ia ter jogo. Para mim, é algo inédito até hoje.

O ÚLTIMO TREM DE TARCISO

No início de 83, eu estava indo para o Palmeiras, e o Espinosa disse que precisava de mim. Apostei tudo na nossa chance de ganhar a Libertadores e o Mundial. O trem estava passando e era o meu último vagão. Estava com 33 anos. Como turista, posso ir ao Japão. Mas, para fazer história, era só aquela vez... Por isso, não podia parar. Agora, vendo as imagens no telão, eu quase fazendo o gol, o alemão me solando... Voltei para o campo, estava lá de novo. 

OS 16 CIGARROS DE ESPINOSA

Foram oito cigarros. Era uma superstição que eu tinha. Quatro no primeiro, quatro no segundo. Ah, esqueci a prorrogação. Então foram mais oito, 16 no total! O tempo não passava nunca... Na hora, não chorei, só abraçava a todos, não deu tempo. Mas, depois, chorei. Choro até hoje. Fomos uma equipe valente. Lembro que, no intervalo antes da prorrogação, não sabia o que dizer, procurava as palavras. E o grande capitão De León disse: 'ninguém mais vai cabecear na nossa área'. Renato completou: 'segurem atrás, que eu garanto na frente'. Aí estavam as palavras perfeitas. Eu não precisava dizer mais nada.

 

Fonte:Globo Esporte