23-12-2013/10:01:14
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Mais do que um desejo, readequar a folha salarial do futebol virou meta quantitativa no Grêmio. A ideia, portanto, é começar 2014 com uma redução que toque ao menos os 20%, o que deixaria os gastos mensais do clube com o elenco próximos ou inferiores a R$ 5 milhões. A realidade financeira pode ser nova, mas a receita para alcançá-la já é conhecida: cortar na carne, sobretudo em quem ganha muito e vem produzindo pouco.
Um valor que pode soar já gigantesco, mas que, em comparação com o início de 2013, mostra uma grande mudança. Para vencer a Libertadores, o presidente Fábio Koff investiu pesado, e a folha salarial alcançou R$ 7,4 milhões. A eliminação precoce, nas oitavas, em maio, precipitou os primeiros cortes, que levaram a uma redução pouco superior a R$ 1 milhão.
REDUÇÃO DE SALÁRIOS
A tática para reduzir ainda mais é se desfazer de jogadores com altos salários. Embora com boa performance, Dida saiu. O mesmo caminho deve tomar Elano, que fora reserva com Renato Gaúcho. Zé Roberto ainda não conversou com a direção, mas sabe que só renovará se diminuir seu salário. O mesmo exemplo valeu para a escolha de técnico. Renato não quis baixar seus vencimentos, e a direção resolveu contratar o emergente Enderson Moreira, a custos bem menores, cerca da metade do que desejava o antigo treinador.
HERANÇAS REPASSADAS
Os emprestados também são tratados como moeda de troca. A primeira opção é, portanto, sempre pensar na negociação. Caso de Leandro, destaque no Palmeiras e pelo qual o Grêmio quer fazer valer o valor estipulado no empréstimo, de 5 milhões de euros (cerca de R$ 16 milhões). Outro é Marcelo Moreno, que retornou do Flamengo e foi repassado ao Cruzeiro, aliviando um pouco mais a folha. A saída de Fábio Aurélio, que chegou em junho de 2012 e atuou em apenas cinco partidas, é encarada com extremo alívio pela cúpula tricolor, uma das "heranças" da antiga gestão que onerava as finanças atuais.
NINGUÉM É INEGOCIÁVEL
Por falar em gestão anterior, ela foi responsável pela contratação de Kleber. Em dois anos de Grêmio, o Gladiador ainda não comprovou suas credenciais. Mais do que isso, passou um turno inteiro do Brasileiro sem marcar gols. Embora a direção não confirme publicamente, o atacante está entre as peças com contrato em vigor que poderiam ser negociadas, caso houvesse ofertas, o que ainda não ocorreu. A transferência de ao menos mais um atleta de salário elevado seria suficiente para equalizar a folha à nova realidade financeira. Outra saída é vender jovens valores. Alex Telles tem rumo certo ao futebol turco - o Galatasaray vai pagar 7 milhões de euros (R$ 22 milhões), dos quais o Grêmio tem 40%. Bressan é outro que está na mira de clubes europeus.
PRÉ-TEMPORADA SEM CUSTO
Outro alento tricolor é o planejamento. Sem a pressa de uma pré-Libertadores, como em 2013, o clube não precisou gastar com uma pré-temporada fora do país - neste ano, fora em Quito, antes de enfrentar a LDU. Agora, fará a preparação toda em Bento Gonçalves, na Serra, a custo zero, tudo bancado pelo município. Os cofres azuis agradecem.
Fonte:Globo Esporte