27-01-2014/11:19:21
Vídeo mostra momento em que jovem é baleado em protesto em SP
PMs dizem que Fabrício Proteus Nunes reagiu à abordagem policial.
No sábado (25), ato contra Copa terminou em vandalismo no Centro.
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Um vídeo divulgado com exclusividade pelo Fantástico na noite deste domingo (26) mostra o momento em que um manifestante foi baleado por policiais militares durante o protesto contra a Copa do Mundo no sábado, em São Paulo. Fabrício Proteus Nunes Fonseca Mendonça Chaves, de 22 anos, foi atingido por dois tiros em Higienópolis. Imagens de uma câmera de segurança mostram a ação.
De acordo com a PM, ele foi atingido após tentar atingir um policial na Rua Sabará, na altura no número 100.
Nas imagens é possível ver Chaves sendo perseguido por dois policiais. O jovem para de correr, se vira em direção a um dos PMs, e ele cai. Chaves vai em direção ao PM, que está no chão. O policial que está ao lado saca a arma. Um terceiro policial chega. Não é possível saber exatamente o momento dos disparos, nem é dá para ver se o jovem tem um estilete na mão. Mesmo baleado, Chaves se levanta e continua andando, até cair mais à frente.
Contrariando uma determinação da Secretaria de Segurança de São Paulo, que proíbe que policiais socorram suspeitos baleados, os PMs não esperam ambulância e levam Chaves para o hospital. Ele continua internado. A Corregedoria da Polícia Militar (PM) afirmou quevai investigar os três policiais que participaram da abordagem.
O comandante da área metropolitana, o coronel Celso Pinheiro, viu as imagens e falou sobre o caso. "As primeiras imagens a que tivemos acesso nos dão conta que os policiais agiram em legítima defesa, porém gostaria de deixar claro que, se houve excesso, a Polícia Militar não compactua com tal tipo de conduta e que efetivamente elas (sic) serão apuradas, se necessário, com o devido rigor."
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), Chaves e um outro manifestante foram identificados como adeptos da tática "black bloc" e agiram mascarados durante protesto.
Após os tumultos no Centro, a dupla foi seguida pela polícia. Ao ser abordado, um rapaz cujo nome não foi divulgado se entregou, enquanto Chaves reagiu e feriu um policial militar, segundo a Secretaria de Segurança. A SSP diz que, na mochila de Chaves, foi localizado um artefato explosivo feito com uma lata de cerveja.
Testemunhas confirmaram à Defensoria Pública que Chaves tinha um estilete e que ele foi atingido por tiros após ser abordado por policiais. Moradores da região ouviram três disparos, mas a Santa Casa informou que Chaves foi atingido por dois tiros.
A PM relatou que o ferido foi socorrido pelos próprios PMs, antes da chegada do Samu, por causa da gravidade dos ferimentos.
Fabrício foi levado ao Pronto-Socorro da Santa Casa, em Santa Cecília. Por volta das 15h deste domingo, Chaves continuava internado em estado grave, sob observação, na Unidade de Terapia Intensiva da Santa Casa de São Paulo. Ao chegar ao hospital, ele passou por cirurgia.
De acordo com a Santa Casa, um dos tiros atingiu o tórax, o que causou hemorragia interna, e o outro atingiu o pênis do rapaz. O hospital diz que foi preciso remover um dos testículos da vítima por causa dos ferimentos.
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, afirmou neste sábado que a polícia agiu "firmemente" durante todo o protesto "para evitar uma tragédia na Praça da República", onde ocorria um show pelo aniversário de São Paulo.
"Qual a orientação que é dada para a polícia de São Paulo, mais especialmente a Polícia Militar, que é quem trabalha no policiamento ostensivo, é proteger a população e proteger os próprios manifestantes. Eles terem a proteção, terem a segurança. Agora, atos de vandalismo, de depredação, aí não são manifestantes. Aí, a população de São Paulo não aceita isso. E a polícia agiu firmemente no sentido de evitar uma tragédia na Praça da República porque estava tendo uma apresentação, um show, muita criança, muitas famílias, muitos idosos, evitar um problema grave e ao mesmo tempo tem o dever de prender aqueles que depredam patrimônio publico ou privado e fazem atos de vandalismo", disse Alckmin.
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, se mostrou favorável às manifestações e contrário aos atos violentos. “Nós defensores da liberdade nos temos que garantir o direito de reivindicação, de mobilização, de organização. Mas nós temos que saber que a violência e a intolerância colocam em risco a liberdade duramente conquistada pelo povo brasileiro”, disse.
Fonte: G1