08-05-2014/09:39:37
Geromel cresce em crise, se reinventa no Grêmio e busca ápice europeu
Titular pelo quarto jogo seguido, zagueiro vive fase de adaptação para voltar a atingir nível de atuação da Alemanha, quando marcava gigantes como Klose e Robben
Pedro Geromel tem nove partidas na temporada (Foto: Diego Guichard) |
Imagine dois universos absolutamente distintos para um jogador de futebol. De um lado, um zagueiro experiente, acostumado a marcar gigantes do esporte, como o alemão Klose e o holandês Robben. De outro, um iniciante pouco conhecido, mas que começa a dar conta do recado, quando exigido. A simbiose dessas duas realidades forma Pedro Geromel, atleta de 28 anos que conquistou espaço durante o período mais turbulento do Grêmio na temporada e que mostra a cada jogo qualidade para estar entre os 11 preferidos de Enderson Moreira. Será novamente titular no domingo contra a Chapecoense, pelo Brasileirão.
Em conversa que durou 15 minutos com o GloboEsporte.com na antessala de imprensa do estádio Olímpico, Geromel mostrou serenidade e confiança nessa nova etapa na carreira. Como o titular com menor número de partidas da equipe na temporada - nove - utilizou da obstinação e paciência, principalmente, para esperar pela oportunidade.
- É normal, já tinha uma base formada quando cheguei aqui. No começo, ganhávamos quase todos os jogos no Gauchão e não sofríamos gol na Libertadores. É o que o pessoal costuma dizer, em time que está vencendo não se mexe. Se não tivesse trabalhado bem nesses quatro meses, não daria conta do recado - conta.
As portas se escancaram para Geromel a partir da lesão de Rhodolfo - fora desde a derrota na decisão do Gauchão. Desde então, foram quatro partidas como titular - contra Atlético-PR e Santos, pelo Brasileirão, além dos confrontos contra San Lorenzo, pelas oitavas da Libertadores.
QUASE DE SISTENCIA
O trilho percorrido por Geromel, entretanto, não foi nada fácil. Pai do zagueiro, Walmir conta que o jogador precisou de muita persistência para se tornar profissional. Formado nas bases de Portuguesa e Palmeiras, o zagueiro se mudou para Portugal com apenas 17 anos. Passou a atuar no Desportivo de Chaves. Treinava com os profissionais, mas somente podia jogar na equipe júnior, por causa da menoridade.
Em viagem a Portugal, Walmir viu que as condições do filho não eram as ideais. Ganhava moradia e auxílio de custo, mas vivia com despesas apertadas. Então, Geromel recebeu um convite do pai.
- No Brasil ele tinha qualidade de vida boa, não precisava passar por aquilo. Ganhava ajuda de custos, residência e alimentação. Perguntei se ele não queria voltar. Ele sempre insistia: "acho que dá". Nunca se queixou da rotina de treinos. Tinha força de vontade muito grande. A gente ficou muito preocupado, mas o pessoal do clube adorava ele - conta Walmir, que é empresário do ramo de embalagens plásticas.
ápice
A persistência deu resultado. Contratado pelo Vitória de Guimarães, chegou a ser eleito o melhor jogador da Liga Portuguesa. Virou ídolo local e as boas atuações repercutiram na Europa. Teve os direitos econômicos comprados pelo Colônia, da Alemanha.
Se a língua era complicada no começo, logo passou a estudar alemão. E a dificuldade virou trunfo. Como permaneceu quatro anos na Alemanha, dominou o idioma e herdou a braçadeira de capitão da equipe de Lukas Podolski, que também fazia parte da seleção do país. Se tornou um tipo de "Barcos do Colônia", um porta-voz, responsável por contatos com a imprensa.
Na milionária Bundesliga, enfrentou gigantes do futebol mundial. O mais perigoso, segundo o pai, era Klose, na época o artilheiro do Bayern de Munique.
- Ele sempre me disse que o Klose era o mais difícil de marcar. Um centroavante muito inteligente - relata.
Só que o ápice não fora repetido no Mallorca, da Espanha. Segundo Walmir, Geromel chegou ao clube em um momento de desequilíbrio no Espanhol. A desorganização fora de campo refletia diretamente no futebol. No início do ano, em entrevista à Rádio Gaúcha, um jornalista local dirigiu duras críticas ao defensor.
- Ele deve ter tido o motivo dele para falar disso. O pessoal do Mallorca gostava de mim. Ele não gostava, fazer o quê? - lamenta Geromel.
em adaptação
Geromel ainda está em fase de adaptação ao futebol brasileiro e ao Grêmio. Na Europa, a orientação era para o zagueiro tentar sair jogando para o meio-campista mais próximo, rolar a bola. Já no Brasil, é comum um defensor ganhar elogios e aplausos da torcida ao dar balão para a direção que o nariz apontar.
O zagueiro é casado com Lívia, com quem tem a filha Lia, de um ano e 10 meses de idade. Bem adaptado à capital gaúcha, é cada vez mais reconhecido nas ruas pelo torcedor gremista.
Dia após dia, reaprende a viver e jogar futebol no país onde nasceu, após uma década no Velho Continente. Obstinado, acha que repetirá o ápice técnico, mas pelo time gaúcho. Para quem já marcou um centroavante histórico como Klose, quem duvida que Geromel atinja isso?
- Ele está só começando, tem muito a ajudar o Grêmio. É um líder nato dentro de campo, um xerifão - elogia o pai.
Geromel terá tempo de sobra para provar qualidade em Porto Alegre. O contrato de empréstimo do Colônia vai até metade de 2016. Até então, são nove partidas na temporada.
Fonte: GE