10-05-2014/11:15:02
Identidade Chape: azul do Grêmio sai de cena para dar lugar ao Verdão
Moradores do Oeste de Santa Catarina deixam para trás o passado de influências gremistas e do Rio Grande do Sul para viver o amor pelo clube de Chapecó
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Aos poucos, a Chapecoense decreta o fim de um estigma do Oeste de Santa Catarina: a torcida por clubes gaúchos. A proximidade e as influências do estado vizinho, até poucos anos atrás, forçava uma grande parte dos torcedores da Chape a deixarem ou Grêmio ou Inter em primeiro plano. A ascensão do Verdão, ao sair da quarta divisão para a elite do futebol brasileiro, porém, mexe com o orgulho de cada cidadão chapecoense. A identidade Chapecoense se fortalece cada vez mais.
Na véspera de um encontro histórico para a cidade, quando pela primeira vez a Chapecoense irá receber na Série A do Brasileiro um dos dois times que são frequentemente exibidos nas camisas de torcedores, o Verdão será maioria nas arquibancadas. E não apenas para “ver” o Grêmio atuar, como curiosidade, mas pelo amor e desejo de vencer um rival. Atualmente a Chapecoense acumula mais de 10 mil sócios, um número superior, por exemplo, ao de Figueirense e Avaí. Há um ano atrás, antes do começo da Série B, os associados não passavam de dois mil. Em 2010, o clube, que completa 41 anos neste dia 10 de maio, apresentava pouca representatividade no cenário nacional.
- Aqui em Chapecó muitos torcem para Grêmio e Inter em função da proximidade com o Rio Grande do Sul. Com a ascensão da Chapecoense, esse comportamento vem mudando. Estamos conseguindo fazer com que os torcedores de Chapecó tenham a Chapecoense como a sua primeira opção. Isso é compreensível pelo fato do clube nunca ter disputado uma Série A - disse o volante Wanderson, há três anos na equipe catarinense.
As experiências proporcionadas pela Chapecoense nos últimos quatro anos e o crescimento meteórico movimentam cada vez mais a cidade. A expansão da Arena Condá, financiada pelo dinheiro público, é um exemplo do ganho de importância do time para a região Oeste e Santa Catarina em si. As longas filas para a compra de ingresso para os jogos contra o Corinthians e, nesta semana, para a partida contra o Grêmio, refletem o anseio de um torcedor cada vez mais identificado. Vem aí uma geração de apaixonados pelo Verdão do Oeste.
PAI GREMISTA, FILHO CHAPECOENSE
João Arthur de 12 anos foi com o pai até o ginásio Ivo Silveira na manhã desta sexta para buscar o ingresso cortesia para o jogo: ele não quer perder por nada o duelo entre o Verdão do Oeste e o Tricolor gaúcho. Alex, o pai, é professor de educação física e se considera um gremista 'roxo'. Já o filho, por influência do avô Nelson, virou colorado. Mas, neste domingo, tanto um quanto outro irão torcer é pela Chapecoense.
- Vai ser um jogo difícil porque o Grêmio vem mordido pela derrota na Libertadores e pressionado. Se ele perder aqui o técnico cai. E jogando em Chapecó não podemos torcer para outro time se não a Chapecoense - resumiu Alex Celso.
O pai explica que a paixão do filho e das crianças da cidade aumentaram depois de 2008, quando a Chapecoense iniciava sua fase de ascensão.. Antes, as referências eram os times gaúchos.
- Das crianças aqui da região, que passaram a acompanhar futebol depois de 2008, a maioria torce para a Chapecoense. Antes torcíamos para os clubes gaúchos porque não tínhamos um representante aqui do Oeste e não nos identificamos com os outros clubes catarinenses. Agora temos a Chapecoense e é nosso dever apoiá-la - completou Alex.
EX-GREMISTA, AMOR pela CHAPE
Eduardo Macieski era gremista. Começou a frequentar o Índio Condá com nove anos, mas seguia torcendo para o Tricolor de Porto Alegre. Em 2012, virou sócio do Verdão e, agora, aos 18 anos, a Chapecoense é uma de suas paixões. Esteve em mais de 50 jogos do Verdão e está confiante numa vitória da Chapecoense neste domingo.
- Antes torcia pra Chape e o Grêmio era o meu preferido da série A. Agora, com a Chapecoense na 'A', não tem como torcer pra outro time. Não quero que o Grêmio vá mal no campeonato, mas é Chape na cabeça - destacou Eduardo, que esteve presente no treinamento da última sexta-feira.
aMOR ANTIGO: CHAPECOENSE VEM ANTES DO GRÊMIO
Seu Anselmo João Bottega acompanha a Chapecoense desde a década de 70. A exemplo de Eduardo e de Alex (pai e filho acima), ele também torcia pelo Grêmio até o destino colocar a Chapecoense e o Tricolor frente à frente. Apesar de toda a simpatia pela equipe gaúcha, seu Anselmo não quer saber de empate. Torce por uma vitória do Verdão.
- Não quero saber do Grêmio, um a zero, meio a zero, tem que dar Chapecoense - comenta.
Ele exibe com orgulho a carteirinha de sócio. O lugar dele na Arena está garantido. Veio ao estádio em busca de um ingresso para o filho, que é médico e estuda em Passo Fundo, mas chegou tarde. Os ingressos colocados à venda esgotaram mais de 48 horas antes do confronto.
- Vou tentar conseguir com alguém. Vai ser um jogo histórico e o Grêmio que me perdoe, mas a Chapecoense vai ganhar - garante.
Fonte: GE